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12/12/2008

Cirurgiões-dentistas nos hospitais

Nos últimos anos, tem-se intensificado a importância do trabalho dos cirurgiões-dentistas nos hospitais.

Em setembro do ano passado, o deputado federal Rubens Bueno apresentou um projeto de lei obrigando hospitais com mais de cem leitos a contarem com cirurgiões-dentistas em seus corpos clínicos. No concurso público da área médica que está sendo promovido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, pela primeira vez foram contemplados dentistas com especialização em Cirurgia buco-maxilo-facial.

Essas iniciativas merecem o aplauso da classe odontológica, que há muito tempo reivindica mais espaço nos hospitais para a sua atuação. Não há dúvidas que os cirurgiões-dentistas nos hospitais expandiriam o atendimento de saúde bucal à população. No entanto, mesmo entre os dentistas, as opiniões divergem sobre o assunto.

Segundo o dr. César Augusto Bertini Donadio, especializado em Cirurgia buco-maxilo facial, o fato do hospital ser a "casa do médico" faz com que o dentista seja visto como um intruso algumas vezes. Não há também um grande número de dentistas formados nessa especialidade. Esses dois fatores fazem com que seja difícil transpor as barreiras que existem atualmente nos hospitais à presença dos dentistas.

Outro problema detectado pelo dr. César Augusto é que ainda não há obrigatoriedade de residência em hospitais para a especialização dos dentistas em Cirurgia buco-maxilo-facial. "No entanto, é muito importante que todos os hospitais tenham uma equipe desses profissionais, principalmente na emergência", diz ele.

Para o dr. Edgard Crossato, professor da USP, a grande questão é a falta de legislação específica para a atuação desses profissionais. Segundo ele, as normas até existem, mas não estão atualizadas. "Este campo de trabalho é o que chamamos de área cinzenta, onde tanto os médicos quanto os dentistas podem atuar, muitas vezes até em conjunto, para obter melhores resultados. O que acontece é que muitos médicos querem trabalhar sozinhos, quando quem mais entende de Cirurgia buco-maxilo-facial é o dentista", diz o dr. Crossato.

No CRO-SP, o assunto vem sendo tema de estudos e uma comissão foi criada com esse fim há cerca de nove meses, reunindo várias categorias de dentistas que atuam em hospitais. Esta Comissão de Odontologia Hospitalar, que quer esclarecer o papel do dentista nos hospitais e atenuar as "rotas de colisão" que podem existir com os médicos, vem se encontrando regularmente e pretende levar ao Conselho Federal de Odontologia os resultados de suas discussões, com sugestões para regularizar a atuação dos cirurgiões buco-maxilo-faciais nos hospitais brasileiros.

Com 25 anos de experiência em hospitais, o CD Waldyr Antonio Jorge, mestre e doutor em Traumatologia buco-maxilo-facial, livre docente em Estomatologia pela FO-USP e diretor da Divisão de Odontologia do Hospital Universitário da USP, vê a questão sob outro ângulo. Para ele, não há resistência por parte dos médicos à presença dos cirurgiões-dentistas nos hospitais. O que existe é desinformação, tanto dos médicos quanto dos cirurgiões-dentistas.

"Não há limitação legal para o trabalho dos dentistas nos hospitais. O dentista pode internar seu paciente, mas precisa também ter conhecimento sobre o que está fazendo. Mas alguns não sabem conduzir o caso adequadamente e acabam comprometendo a imagem da classe", diz o dr. Waldyr Jorge, que é também o presidente da Comissão de Odontologia Hospitalar do CRO-SP.

Uma das propostas da comissão é adequar a atuação dos cirurgiões-dentistas nos hospitais através de cursos de especialização e residências médicas odontológicas.

Dessa forma, a especialidade será mais conhecida e respeitada no meio médico e os hospitais começarão a assimilar de fato o trabalho do cirurgião-dentista buco-maxilo-facial.

Dr. Waldyr também não corrobora com a idéia de uma disputa entre o cirurgião plástico e o cirurgião-dentista buco-maxilo-facial pelo paciente, como defendem alguns. Ele lembra que são poucos os profissionais de saúde que cuidam do rosto humano - o otorrino, o dermatologista, o oftalmologista, o dentista e o cirurgião buco-maxilo-facial. Por isso, é importante que todos eles tenham um bom conhecimento das demais áreas, para escolher melhor os procedimentos. Também é importante saber reconhecer as próprias limitações, para que, junto ao colega, o profissional possa levar o paciente aos melhores resultados.

Para os jovens dentistas que pensam em especializarem-se na área, dr. Waldyr Jorge afirma que há muito trabalho a espera deles - não é raro encontrar pacientes com traumas de face que ficaram com seqüelas por não terem sido atendidos a tempo ou adequadamente. E garante ainda que as recompensas profissionais são muito grandes: "Não há preço que pague a satisfação de atender um paciente acidentado num hospital e depois de um mês ouvi-lo dizer um "muito obrigado". Isso é muito gratificante", diz ele.

A atuação do dentista nos hospitais

Os dentistas sabem que a face é uma das regiões mais nobres do corpo humano, por onde o indivíduo fala, se expressa e se alimenta. Infelizmente, em função da violência dos tempos atuais, essa região tem sido muito atingida, como lembra o dr. Waldyr Jorge.

Segundo o especialista, a Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo-facial é o "cordão umbilical" do trabalho dos cirurgiões-dentistas nos hospitais. Eles cuidam de pacientes acidentados no trânsito ou em quedas, dos feridos com arma de fogo e dos pacientes vítimas de espancamentos. Em síntese, do trauma facial.

 

Mas há outras possibilidades de atuação para estes profissionais nos hospitais, como os cuidados com os pacientes especiais, que precisam cuidar da saúde oral em centros cirúrgicos, a prevenção de câncer bucal e o tratamento cirúrgico das deformidades de origem dento-faciais e lesões patológicas, além da clínica dental para atendimento de emergências nos hospitais.

Fonte: Medcenter.com - Veja mais...
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