DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de GUNA é feito através dos sintomas clínicos, reforçados pela anamnese, já que a sintomatologia é de fundamental importância na coleta dos dados. As características diagnósticas da GUNA envolvem: 1) inflamação aguda, com necrose e ulceração das papilas interproximais - papilas crateriformes ou escavadas típicas, 2) dor gengival, 3) sangramento gengival - espontâneo ou sob provocação leve.(Emslie, 1963; Cogen et al., 1983). Outros critérios, como pseudomembrana, febre, mal-estar, linfoadenopatia variável, sensações anormais dos dentes, maior fluxo salivar, gosto metálico e fetor oris são sinais e sintomas adicionais, porém por si só, não são diagnósticos. Tendo em vista a resposta imediata frente à terapêutica de urgência, uma eventual falha de diagnóstico é percebida em curto espaço de tempo, permitindo reavaliação da conduta clínica. 1,2
A condição mais freqüentemente confundida com a GUNA é a gengivoestomatite herpética primária. A GUNA, exceto nos países subdesenvolvidos, afeta principalmente adultos jovens na faixa de 17 a35 anos, enquanto o herpes primário ocorre em crianças pequenas. A GUNA em geral não é caracterizada por temperatura elevada marcante ou mal-estar, enquanto o herpes primário com freqüência é acompanhado por febre alta e doença sistêmica generalizada. As lesões da gengivoestomatite herpética primária em geral começam como pequenas vesículas que se rompem para formar pequenas úlceras circundadas por um halo inflamatório. A GUNA localiza-se mais freqüentemente nas papilas interdentais e, às vezes, na papila marginal. 1,2
TERAPÊUTICA
A primeira preocupação é debelar o estado agudo da infecção e posteriomente a correção das condições sistêmicas que contribuem para o início ou o progresso das alterações gengivais. O debridamento mecânico, quando feito com cuidado e suavidade é o meio mais certo de aliviar a dor. Anestesia tópica é aplicada e depois de 2 a 3 minutos as áreas são delicadamente esfregadas com um chumaço de algodão para remover a pseudomembrana e os resíduos superficiais não-aderidos. Após a área ser limpada com água quente, os cálculos superficiais são removidos. Raspagem subgengival e curetagem são contra-indicadas nesse momento, devido à possibilidade de estenderem a infecção para a profundidade dos tecidos e causar bacterimia Os pacientes devem ser instruídos a fazer bochechos com água morna ou produtos oxigenados diluídos (1 parte de peróxido de hidrogênio a 3% e 1 parte de água morna) a cada 1 ou 2 horas. Bochechos duas vezes ao dia com clorexedine a 0,12% também são eficazes. Devem evitar tabaco, álcool e condicamentos, assim como exercícios físicos ou prolongadas exposições ao sol. A escovação deve ser delicada para remoção dos resíduos superficiais com um dentifrício suave. Se necessário para aliviar a dor, podem ser prescritos analgésicos. 1,2,6
Na segunda visita, 1 ou 2 dias depois, as condições do paciente estão geralmente melhores, e a dor está diminuída ou ausente e a raspagem é realizada se a sensibilidade permitir. 1
Na visita seguinte, 1 ou 2 dias depois da segunda, o paciente estará praticamente livre dos sintomas. A raspagem e o alisamento radicular são repetidos. È dada a orientação sobre os procedimentos de controle da placa e os bochechos são suspensos, mas os bochechos com clorexedine devem ser mantidos por 2 ou 3 semanas. 1
Nas visitas subseqüentes, as superfícies dentárias nas áreas envolvidas são raspadas e polidas, e o controle de placa realizado pelo paciente é verificado e corrigido se necessário. Consultas deverão ser marcadas para o tratamento da gengivite crônica, bolsas periodontais e capuz pericoronário, eliminando todas as formas de irritação local. 1...