A mordida aberta pode ser definida como uma deficiência no contato vertical normal entre os dentes antagonistas, podendo manifestar-se numa região limitada ou, mais raramente, em todo arco dentário. As mordidas abertas podem ser divididas em duas categorias: dental e esquelética (Burford e Noar, 2003). Na mordida aberta dental, ou dentoalveolar, o distúrbio ocorre na erupção dos dentes e no crescimento alveolar. Neste tipo de má oclusão os componentes esqueléticos são relativamente normais. Na mordida aberta esquelética, além dos distúrbios dentoalveolares, há desproporção entre os diversos ossos que compõem o complexo craniofacial (Proffit, 2000).
Angle (1907) já insistia que o profissional deveria conscientizar-se do inter-relacionamento dos dentes e dos maxilares com a face, inferindo, portanto, a necessidade de um conhecimento profundo do crescimento das partes que a compõem. Ferrugini et al. (2002) destacaram que para o fonoaudiólogo, é de suma importância compreender os conceitos relacionados ao crescimento e desenvolvimento craniofacial.
Os distúrbios miofuncionais orofaciais freqüentemente estão presentes nos casos de mordida aberta anterior. Esses distúrbios podem estar associados aos hábitos deletérios, dentre eles, os de sucção (Santos et al., 2000; Cirelli et al., 2001; Felício et al., 2003). Considera-se que os hábitos deletérios, seguidos pelas alterações funcionais podem originar a mordida aberta dentoalveolar. Nos casos de mordida aberta esquelética, os hábitos atuariam como fatores agravantes e os distúrbios miofuncionais orofaciais seriam adaptações à condição morfológica alterada. Vários autores têm estudado e discutido à respeito dos distúrbios miofuncionais nos casos de mordida aberta, focalizando principalmente a deglutição (Cayley et al., 2000; Fayyat, 2000; Lopes, 2000; Pacheco et al., 2000; Kawamura et al., 2003; Yamaguchi e Sueishi, 2003; Fujiki et al., 2004).
O planejamento do tratamento ortodôntico se diferencia de acordo com a etiologia e o diagnóstico da mordida aberta (Henriques et al., 2000). Da mesma maneira, o fonoaudiólogo precisa, diante de um caso de mordida aberta, estabelecer metas e condutas terapêuticas diferenciadas se esta for dentoalveolar ou esquelética (Felício, 2001).
Assim, o diagnóstico diferencial entre mordida aberta anterior dental e esquelética é de fundamental importância e a cefalometria radiográfica é um excelente instrumento de diagnóstico dessas anomalias, que auxilia sobremaneira em determinar os procedimentos mais adequados para o tratamento. Steiner (1953) afirmava que os traçados cefalométricos, mesmo não sendo matemática e geometricamente exatos, propiciam boa interpretação dos resultados obtidos, uma orientação mais científica para o diagnóstico e o planejamento do tratamento ortodôntico.
O objetivo da presente pesquisa foi investigar se o diagnóstico diferencial entre mordida aberta dental e esquelética poderia ser definido com base na análise cefalométrica composta apenas por três medidas angulares, NS.GoGn, NSGn e Eixo Facial e estabelecer uma fórmula matemática para aplicação em situações clínicas e de pesquisa....